
Tomamos o pequeno-almoço no albergue na companhia de um rapaz espanhol , o Cesc, que tinha ficado lá alojado. Ficamos a ouvir a sua aventura solitária e a perceber o que procurava nesta sua senda, a tranquilidade. Tinha um olhar profundo e sereno, transmitindo-nos essa mesma calma. Saímos os 3 do albergue em direcção ao centro para o ritual da manhã, tomar café. Trocamos emails, despedindo-nos com um abraço ternurento e de cumplicidade. A mensagem tido sido passada. Atravessamos a ponte que liga Valença a Tui e infelizmente as minhas pernas começaram a doer-me. Com receio de não encontrarmos nenhuma farmácia, decidimos fazer um desvio e ir ao centro de Tui. O tempo estava a passar e as dores não queriam aliviar. Ao contactar com uma senhora de uma loja, falei-lhe asperamente. Não me tinham resolvido o meu problema, como se as pessoas tivessem culpa das minhas dores. Ainda a resmungar, decidi que não queria nada e pedi para retomarmos o caminho, onde o tínhamos deixado. Chegamos à Catedral. Tinha uma fachada maravilhosa no seu estilo gótico. Entramos e fui invadida com uma sensação de paz. Orei ao Pai e os meus olhos encheram-se de lágrimas. «.. e não nos deixeis cair em tentação..» Ao sairmos da Catedral, a Carlinha percebeu o que eu estava a sentir. Demos um abraço e novamente estávamos em paz. Abandonamos a cidade pelas ruas empedradas. Depois de muito caminharmos, a vegetação deu lugar ao asfalto, que muito embora fosse ladeada de árvores, o caminho pareceu-nos infindável, tendo sido muito desgastante. Já ao final do dia, passamos a tão famigerada zona industrial de Porrino. Ao chegarmos ao centro fomos surpreendidas com uma festa, a "Festa do Cristo". O barulho era ensurdecedor e o movimento das pessoas extasiante e muito maçador. Passadas as barracas das pipocas e dos churros encontramos o albergue, que estava situado num local bastante aprazível. Na realidade o albergue por dentro não era muito simpático. Tinha um aspecto frio e pouco acolhedor, excepto a sala de estar que comunicava para um alpendre e que deveria ser muito agradável lá estar. Já estavam os peregrinos todos deitados e decido vir cá baixo fumar o meu cigarro. No regresso, entro na camarata e qual não é o meu espanto, estava tudo às escuras. Tinha sido o tempo de fumar um cigarro. Abeirei-me da nossa cama (beliche) e abanei a.. suposta Carla. Mais uma vez esquisito. A Carla não estava vestida de preto. Fez-se luz.. estava na camarata masculina e aquele ser não era a Carla!!! Claro que quando cheguei perto da Carlinha, foi a risota!!
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