4ª Etapa: Porrino - Redondela

Que noite horrível que passamos. A festa rija do Cristo, durou até às tantas e não obstante, tivemos direito a fogo de artifício, que mais parecia estar dentro do nosso albergue. Para não quebrar a tradição, fomos das últimas a sair. Rumamos ao centro da cidade para ir à farmácia. A minha perna não apresentava melhoras e achei por bem não arriscar mais. O senhor da farmácia foi super simpático, para além de me por a ligadura, ainda me fez uma massagem com um gel para desinflamar. Obrigada! Estava como nova. Seguimos pela estrada nacional até encontrarmos a capela de Santa Marta, onde aproveitamos para fazer a 1ª pausa. Como tínhamos uns cereais, que haviam sobrado do pequeno-almoço, decidimos comer e... levar um banho deles!! Eu só disse à Carlinha para puxar as orelhas ao saco, mas este ganhou vida de repente!!! Seguimos caminho por entre aldeias e vilas e quando chegamos ao cimo do monte, em Santiaguinho de Antas, encontramos um relógio de sol, um marco, indicador do caminho de santiago, e uma pedra com a indicação da latitude 42º12' e a longitude 8º36'10''W. Um pouco mais à frente passamos por um marco miliário romano da via militar XIX Braga - Astorga - Miliario de Vilar-Guizán-Louredo (sec III D.C). O miliário é um indicador de distâncias, cujo nome deriva da unidade de medida que usavam, Milia Passum. Passamos por um miradouro, onde é possível avistar a ria de Vigo. O caminho a seguir, apresentou-se mais cansativo, devido ao declive acentuado. Quando demos por ela já estávamos em Redondela. Ao chegarmos a um pequeno largo, demos com o albergue...lindíssimo!
3ª Etapa: Valença Porrino

Tomamos o pequeno-almoço no albergue na companhia de um rapaz espanhol , o Cesc, que tinha ficado lá alojado. Ficamos a ouvir a sua aventura solitária e a perceber o que procurava nesta sua senda, a tranquilidade. Tinha um olhar profundo e sereno, transmitindo-nos essa mesma calma. Saímos os 3 do albergue em direcção ao centro para o ritual da manhã, tomar café. Trocamos emails, despedindo-nos com um abraço ternurento e de cumplicidade. A mensagem tido sido passada. Atravessamos a ponte que liga Valença a Tui e infelizmente as minhas pernas começaram a doer-me. Com receio de não encontrarmos nenhuma farmácia, decidimos fazer um desvio e ir ao centro de Tui. O tempo estava a passar e as dores não queriam aliviar. Ao contactar com uma senhora de uma loja, falei-lhe asperamente. Não me tinham resolvido o meu problema, como se as pessoas tivessem culpa das minhas dores. Ainda a resmungar, decidi que não queria nada e pedi para retomarmos o caminho, onde o tínhamos deixado. Chegamos à Catedral. Tinha uma fachada maravilhosa no seu estilo gótico. Entramos e fui invadida com uma sensação de paz. Orei ao Pai e os meus olhos encheram-se de lágrimas. «.. e não nos deixeis cair em tentação..» Ao sairmos da Catedral, a Carlinha percebeu o que eu estava a sentir. Demos um abraço e novamente estávamos em paz. Abandonamos a cidade pelas ruas empedradas. Depois de muito caminharmos, a vegetação deu lugar ao asfalto, que muito embora fosse ladeada de árvores, o caminho pareceu-nos infindável, tendo sido muito desgastante. Já ao final do dia, passamos a tão famigerada zona industrial de Porrino. Ao chegarmos ao centro fomos surpreendidas com uma festa, a "Festa do Cristo". O barulho era ensurdecedor e o movimento das pessoas extasiante e muito maçador. Passadas as barracas das pipocas e dos churros encontramos o albergue, que estava situado num local bastante aprazível. Na realidade o albergue por dentro não era muito simpático. Tinha um aspecto frio e pouco acolhedor, excepto a sala de estar que comunicava para um alpendre e que deveria ser muito agradável lá estar. Já estavam os peregrinos todos deitados e decido vir cá baixo fumar o meu cigarro. No regresso, entro na camarata e qual não é o meu espanto, estava tudo às escuras. Tinha sido o tempo de fumar um cigarro. Abeirei-me da nossa cama (beliche) e abanei a.. suposta Carla. Mais uma vez esquisito. A Carla não estava vestida de preto. Fez-se luz.. estava na camarata masculina e aquele ser não era a Carla!!! Claro que quando cheguei perto da Carlinha, foi a risota!!
2ª Etapa: Rubiães - Valença

Depois de uma noite bem dormida, abandonamos o albergue de Rubiães. Ao que parece fomos as últimas a sair!! Antes de começarmos, nada como tomar um belo café expresso para acordar. Como o snack-bar onde tínhamos jantado na noite anterior se encontrava fechado, a Carla achou por bem não ir ao outro que ficava mais à frente uns metros, distanciando-nos do caminho. Esse café a que me refiro era um 2 em 1, ou seja, café e merceria, cuja dona é uma senhora muito simpática e com um ar feliz. No dia anterior tinha-nos dado a provar o já esquecido chocolate artesanal, que antigamente se colocava no meio do pão!! Assim sendo, começamos a caminhar na esperança de encontrar um café mais à frente. Os campos verdes iluminados de orvalhadas despertaram os sentidos. Ao passarmos a belíssima ponte de Rubiães, fomos surpreendidas com a melodia das águas cristalinas que por ali passavam. Depois de muito caminharmos, chegamos a uma estrada nacional e avistamos um café e diz a Carla: "Olha, vês, está aqui um café!" ao que eu respondo: "Pois.. mas este era o mesmo, que há pouco tempo atrás ficava longe.". Foi a bela da risada, para animar. Já bem acordadas, retomamos o caminho que se afigurava semelhante ao anterior. As árvores desenhavam sombras no pavimento, inundando o caminho de ar fresco pautado de notas musicais do tilintar da água. A páginas tantas digo eu: "Olha um cão!" e a Carla, "Não é um cão, é um porco!" Ficamos estáticas a fitar o animal, era um pequenote javali. "Carla, tenho de te dizer uma coisa", digo eu a medo e a Carla, "O quê? É hora de fugir?". Soltamos uma gargalhada. "Não. Só espero que a mãe não ande por perto, caso contrário estamos feitas." De cajado armado, começamos a caminhar devagar. O pobre javali, mal percebeu que nos estávamos à abeirar, desatou a correr. Encontramo-lo mais à frente, junto a uma bifurcação. Ainda teitei fazer amizade com ele, mas este mostrou-se com cara de poucos amigos e voltou para trás! Passamos em São Bento da Porta Aberta, onde aproveitamos para visitar a igreja e fazer uma pausa. O caminho da parte da tarde, foi um pouco mais difícil. As árvores e os ribeiros tinham dado lugar ao asfalto. Chegamos a Valença e com a ajuda das pessoas, encontramos o albergue de S. Teotónio, que ficava ao lado dos Bombeiros. Já lá estavam outros peregrinos que nos abriram a porta. Que bela reconpensa! O albergue para além de ser muito limpo, estava muito bem equipado e organizado. À noite, reunimo-nos todos no jardim. Falamos dos nossos costumes e contamos algumas peripécias. A sensação era de que estávamos em casa!
1ª dia (26/09/2009): Ponte de Lima - Rubiães

Chegamos a Ponte de Lima passava pouco das 8h30. O Kikas deixou-nos num parque e ali nos despedimos para a nossa grande aventura. Dirigimo-nos à Igreja Matriz, na tentativa de assistirmos a uma celebração litúrgica onde se procede à benção e envio dos peregrinos. Como tal não foi possível, falamos com o Padre e informalmente fizemos a oração de benção ao peregrino. Foi com um sorriso que nos despedimos e com a promessa de dar um abraço a São Tiago.
Passamos a ponte romana e seguindo as setinhas amarelas, passamos ao lado do albergue de pereginos que já se encontrava fechado. Os nossos corações ansiosos, diziam-nos que tinha chegado a hora. Finalmente pisávamos o Caminho Português de Santiago. O caminho rural, foi serpenteando por entre aldeias e veredas. As cores que se apresentavam eram belíssimas, típicas da estação outonal. As folhas pintavam o chão ladeado de carquejas no seu tom lilás e folhas em rosa velho. O cenário era ainda enriquecido pelos sons dos ribeiros e pequenos pássaros, que por ali passavam, qui çá, para nos desejar um bom caminho. Ouvimos o som de concertinas, e ali estava uma menina a tocar para os habitantes locais, eventualmente seus familiares. Tínhamos avistado o 1º peregrino, que ao passar também parou para ouvir as concertinas desconcertantes. Mais à frente, depois de passarmos junto à auto-estrada, em Labruja, avistamos uma café onde paramos para comer, o "Café Nunes". Já lá estava o peregrino (o nosso velhinho, como viemos a chamar) e mais outro. A senhora, com um ar tranquilo e com um aspecto de quem não tem preocupações, deixou-nos à vontade para pegarmos no que quiséssemos. Bolachas Maria a 20 cêntimos.... se não fosse tão longe, vínhamos fazer aqui as nossas compras!!! De volta ao caminho, aproximava-se uma súbida muito íngreme, que muito embora já estivéssemos preparadas mentalmente, custou bastante a fazer. O calor apertava e o corpo começava a dar sinais de cansaço. Quando chegamos ao topo da serra da Portela Grande, a bela surpresa - uma vista magnífica do vale do Minho. Finalmente o percurso passava a ser a descer. Pouco tempo depois já estávamos no Albergue de Rubiães, onde ficamos muito bem instaladas. Cá fora estavam 2 alemãs e uma coreana que tinham partido do Porto e que mais tarde viemos a conhecer. Também o rapaz alemão do café e uns espanhóis. Quando consultamos o livro de registo dos peregrinos, nem querímaos acreditar. Quantas pessoas vinham do outro lado do mundo e que tinham partido do Porto ou de Lisboa!!
Passamos a ponte romana e seguindo as setinhas amarelas, passamos ao lado do albergue de pereginos que já se encontrava fechado. Os nossos corações ansiosos, diziam-nos que tinha chegado a hora. Finalmente pisávamos o Caminho Português de Santiago. O caminho rural, foi serpenteando por entre aldeias e veredas. As cores que se apresentavam eram belíssimas, típicas da estação outonal. As folhas pintavam o chão ladeado de carquejas no seu tom lilás e folhas em rosa velho. O cenário era ainda enriquecido pelos sons dos ribeiros e pequenos pássaros, que por ali passavam, qui çá, para nos desejar um bom caminho. Ouvimos o som de concertinas, e ali estava uma menina a tocar para os habitantes locais, eventualmente seus familiares. Tínhamos avistado o 1º peregrino, que ao passar também parou para ouvir as concertinas desconcertantes. Mais à frente, depois de passarmos junto à auto-estrada, em Labruja, avistamos uma café onde paramos para comer, o "Café Nunes". Já lá estava o peregrino (o nosso velhinho, como viemos a chamar) e mais outro. A senhora, com um ar tranquilo e com um aspecto de quem não tem preocupações, deixou-nos à vontade para pegarmos no que quiséssemos. Bolachas Maria a 20 cêntimos.... se não fosse tão longe, vínhamos fazer aqui as nossas compras!!! De volta ao caminho, aproximava-se uma súbida muito íngreme, que muito embora já estivéssemos preparadas mentalmente, custou bastante a fazer. O calor apertava e o corpo começava a dar sinais de cansaço. Quando chegamos ao topo da serra da Portela Grande, a bela surpresa - uma vista magnífica do vale do Minho. Finalmente o percurso passava a ser a descer. Pouco tempo depois já estávamos no Albergue de Rubiães, onde ficamos muito bem instaladas. Cá fora estavam 2 alemãs e uma coreana que tinham partido do Porto e que mais tarde viemos a conhecer. Também o rapaz alemão do café e uns espanhóis. Quando consultamos o livro de registo dos peregrinos, nem querímaos acreditar. Quantas pessoas vinham do outro lado do mundo e que tinham partido do Porto ou de Lisboa!!
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